MUSIC VIDEOS

La Grande Ville

‘La Grande Ville’, do album ‘Le son par lui même’ dirigido por Leandro HBL. O clipe foi gravado no centro de São Paulo, próximo ao mercado municipal e às margens do rio Tamanduateí, privilegiando planos abertos em que podemos apreciar a arquitetura e o caos da região. Tais aspectos da paisagem urbana da cidade dialogam com as motivações composicionais da letra da faixa, que fala sobre esta sensação de velocidade e excesso que experienciamos todos os dias. Uma homenagem e uma crítica a cidade natal do artista através de um olhar da cidade poético e contemplativo.

 

 

 

‘Le jour oú Erik Satie a rencontré Stereolab’ :: Paris é uma festa

Pelo nome da música, não é possível imaginar outro cenário para o videoclipe que a cidade Paris. Aliás, para além da referência francofônica, Paris é também a segunda cidade do artista, onde ele vivenciou três momentos muito importantes de sua vida por suas vielas e luzes, sendo a última a responsável por esta peça.

Em 1999, Tsuda descobriu a cidade numa aventurosa e improvisada viagem que rendeu-lhe, entre outros capítulos, uma breve carreira de florista parisiense. Para além de ter estabelecido contato direto com fontes preciosas do saber artístico, ambundantes nos museus e universidades da cidade, neste ano, o artista iniciou um longo mergulho interior (que segue se aprofundando até hoje), e se abriu para as artes. Em 99, Carlos Eduardo Tsuda, se tornou Dudu Tsuda.

Em 2012, Tsuda volta para cidade luz para realizacão de seus dois primeiros programas de residência artística, as prestigiosas Internationales Résidences aux Récollets e Cité Internationales des Arts de Paris. Mal sabia ele quão profundo seu mergulho, desta vez, seria. Nesta temporada, conheceu de perto a melancolia do inverno parisiense em todas as instâncias de sua vida: na separacão de um relacionamento, numa paixão fugaz de viagem, na solidão do frio e num encontro artístico platônico com a performer Manon Harrois.

Toda a intensidade e imanência acumuladas, culminaram numa relação densa e astral com a cidade, que nunca mais foi um ponto turístico para o artista. Não obstante, em 2014, em sua terceira estada e terceira residência artística, sua chegada já foi marcada por um importantíssimo entrecruzamento de caminhos artísticos e intelectuais: o brasileiro de Vitória do Espírito Santo, Miro Soares.

Com Miro, Tsuda começou a esboçar traços e rabiscos do que poderia vir a ser um clipe. “No primeiro dia, procuramos saber onde morava Erik Satie: descobrimos que em 1908 ele tinha morado num pequeno apartamento em Montmartre. Fomos ao local, charmoso como tudo, mas demos com a cara na porta. O studio que durante anos foi mantido como um pequeno museu, em 2008 foi fechado por falta de fundos para sua manutenção”, conta Tsuda.

“E as idéias não pararam por aí… Surgiram a partir de então: por onde Satie teria transitado? E que situacões poderiam registrar no filme?” continua.

Ao saborear cenários uns mais encantadores que outros, ambos foram seduzidos pela idéia de filmar tudo em super 8mm. “Para sermos mais fieis a este tempo nostálgico, a esta viagem no tempo que a canção propõe, um encontro estético entre figuras com mais de 60 anos de diferença”, explica.

Naquele tempo também, Tsuda estava muito impressionado com as séries de pequenas situações cotidianas em Super 8mm e 16mm de Jonas Mekas, e certamente podemos assistir claramente esta influência nas imagens de Soares. No que se refere à qualidade das imagens e as limitações da mídia.

“Mas precisamos ser muito precisos, não podíamos sair filmando tudo que der na telha. Tínhamos apenas 12 minutos para tirar 6, é outra lógica”, conta Soares.

Neste mesmo período, Tsuda estava se encontrando com Manon Harrois para pensarem numa performance a ser realizada juntos na galeria The Window, no 10eme arrondissement. Ambos já haviam realizado trabalhos lá em momentos distintos, e desta vez fariam algo juntos… “Uma espécie de desplatonização da nossa relação se tornava, enfim, realidade”, completa Tsuda.

Como vocês poderão assistir, não poderiam ter escolhido melhor o elenco. O papel de musa caiu na bela Manon como uma delicada luva de veludo preto. Da cor de seu vestido. Da textura de seu toque. Em contraste com sua pele. Seu rosto anguloso e olhar profundo levam qualquer espectador à Paris dos anos 60, o imaginário retratado por Philippe Garrel em ‘Amantes Constantes': festivais de cinema, alternativos, festas, encontros furtivos em salas escuras.

“Mas precisávamos de um contraponto, de uma beldade de um outro tempo, um outro século, de um outro apreciar” continua Tsuda. Afortunados e bem guarnecidos de bons contatos femininos, lembraram de Akvile Ka, uma amiga lituana que inclusive havia ajudado Mekas como intérprete em Paris.

O rosto arredondado e rosado, centrado de profundos olhos azuis turqueza, trouxeram ao clipe a elegância e a sobriedade do romantismo tardio europeu, em belas cenas nada mórbidas no Cemitério de Montmartre.

Sublime. Sutil. Como a música.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *