Diário de um ciclista ep. 1: Pedalo, logo existo.

Ontem subindo a ladeira da Pio XI, além dos xingamentos tradicionais q recebo de motoristas ‘senhores volantes’ (afinal de contas, bicicleta na subida é sinônimo de trânsito…), fui surpreendido por uma agressão q muito me inquietou. Sujeito num corsa preto placa EGG 6393, passa do meu lado e grita: ‘bicicleta não pode andar na rua não!’

O sangue ferveu e nem a subida me impediu de sair pedalando atrás do autor desta já célebre frase paulistana. Colo no cara, obsevando de antemão sua placa, e eis q escuto: ‘vai morrer chinês’.

Se estivesse num filme de Tarantino esse cara já tinha virado uma peneira de molho de tomate (ou de suco de melancia, já que estamos boicotando o fruto italiano). Mas na vida real, imaginamos a glória sanguinolenta, conto até 200 pulando de 20 em 20, e me aproximo da criatura para entender melhor de onde vem tanta intolerância.

‘Bicicleta tem que andar no meio fio, não tem placa, não pode rodar na rua. Veja quantos acidentes acontecem!’, argumenta o sábio motorista.
Neste momento, a minha herança samurai se une ao meu sangue latino, e profiro uma chuva de argumentos raivosos sobre o algoz. Acuado, ele recua em seu discurso conservador racional, e apela para ‘eu também tenho bicicleta, só quero te ajudar…’. Eventualmente, sua intenção até era verdadeira, mas com intolerância não baixamos a guarda!

Passada a chapa quente, chego em casa e reflito. Talvez eu devesse estudar melhor as leis de trânsito. Indaguei ao oráculo da pós-modernidade sobre o assunto, e eis que encontro respostas deveras interessantes.

Ao nosso amigo do corsa preto:

Lugar de bicicleta é na rua, no sentido dos carros e nas faixas laterais da via (inclusive na esquerda, embora geralmente seja bastante perigoso). E com preferência de uso da via.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

Fina Educativa

Outra grande arma do motorista troglodita são as famosas finas educativas. Recebi duas antecedidas por buzinadas dos veículos:

EUA 9963 (era um Picasso preto, acredito, ou algum carro deste mesmo formato perua)

EDP 0408 (Sandeiro Preto)

Para os caros acima:

Tirar fina é infração média (além de perigosíssimo para o ciclista):

Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:
Infração – média;
Penalidade – multa.

Se a fina for em alta velocidade, serão duas multas (a média ali de cima mais essa grave aqui):

Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito:
(…)
XIII – ao ultrapassar ciclista:
Infração – grave;
Penalidade – multa.

Sugestão de quem vos escreve:

Anotem as placas destes infelizes e desalmados, e quando encontrarmos eles nas ruas saberemos com quem estamos lidando. Mereciam castigos cinematográficos, mas permaneçamos nos conformes da lei para não perdermos a razão.
Temos que ser vigilantes da saúde do espaço público, pois nossas vidas de ciclista dependem dela.

Até o próximo diário!

Fonte: site Vá de Bike

http://vadebike.org/2011/04/leitor-afirma-que-bicicletas-nao-podem-usar-as-ruas-para-nao-atrapalhar-os-carros/

http://vadebike.org/2004/08/o-que-o-codigo-de/

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